O ‘Fator’ Rafael Vaz

rafael-vaz-acompanha-a-filha-durante-treino-do-flamengo-1493118840256_956x500As vezes eu me pergunto se nós, torcedores e amantes do esporte, não nos apressamos em criar rótulos para alguns atletas, seja para elevá-los às nuvens, seja para rejeitá-los e desqualificá-los.

Apesar de apaixonado por esporte e pelo meu clube, enquanto herdeiro da tradição de Sócrates e do pensar, não é raro me pegar ‘diminuindo’ algum atleta super-valorizado, bem como ‘protegendo’ outros tantos estigmatizados. Rafael Vaz é um dos que pertencem ao segundo grupo. Mas seu caso é um tanto quanto peculiar.

Ao longo dos anos, aprendemos a observar um jogador diferenciado pela sua maneira de pegar na bola. Desde pequenos, os jogadores habilidosos têm uma forma diferenciada de tratar a bola. Já vi muitos. Isso não quer dizer que serão novos Romários, apenas que têm UM de muitos fatores que contribui para que cheguem lá. Quem não se lembra do Pelé falando do Robinho quando este ainda era uma criança? Ou da grande promessa Negueba? Na base, Robinho e Negueba eram ambos muito promissores. Um vingou, outro não.

Eu não conheço o Vaz ou a sua história, mas me arrisco a dizer que foi um rapaz que se destacou na base. No entanto, para subir ao profissional, muita coisa está envolvida. Desde a família do atleta, passando pela diretoria da base até os profissionais. Vaz provavelmente era um jogador mais avançado que teve que ir para a zaga para subir. E talvez ele nunca tenha se resolvido bem com isso.

Não me cabe julgar. Particularmente, vejo nele a rara categoria de um Aldair ou Mauro Galvão. Mas volta e meia ele insiste em fazer lambanças como um Junior Baiano. Que aliás, era outro que também sabia jogar quando queria. Mas só quando queria.

No jogo de hoje, Até os 10 minutos, o Vaz tirou 4 bolas perfeitas. Até que tentou sair jogando pelo meio e perdeu…. o jogo seguiu, e ele seguiu bem. Cobriu os companheiros, marcou, recuperou bolas, e assim foi o primeiro tempo. Veio o segundo tempo, e ele começou como no primeiro. Até que resolveu driblar o adversário dentro da pequena área. Ele tinha o controle da bola, tanto que a bola apenas saiu pela lateral do campo. Acontece que a lateral do campo atrás da área é escanteio. e se essa for a sua área, é escanteio contra! Portanto, uma imprudência sem tamanho. Resultado: do escanteio, saiu o gol de empate, e 2 minutos depois a virada. Um jogo que estava ganho e controlado se tornou a sexta derrota da equipe no ano, e um jogo perigoso, quase pondo a classificação em risco.

O Rafael Vaz não consegue entender que o domínio de bola que ele tem, que o Renê, por exemplo, não tem igual, tem que ser usado da forma correta, à favor dele, à serviço da posição que ele ocupa. Futebol até é espetáculo, mas pelo conjunto da obra. Já se foi o tempo de Garrincha deixar os outros sentados. E mesmo o Garrincha, fazia isso lá na frente, longe do gol dele.

O Vaz passou uma pequena temporada sentado no banco, mas continuou sem aprender. Quem sabe, se o interesse do Napoli se confirmar, ele jogando em um país que tradicionalmente joga por uma marcação forte, ele possa finalmente se adequar a posição.

Continuo apostando no futebol dele. Mas acho que precisa respirar novos ares, ares de preferência europeus, onde ele será cobrado por uma seriedade que ainda não aprendeu a exercer. Será cobrado de uma maneira mais exigente do que é aqui. Isso funcionou com alguns atletas no passado. Espero que funcione com ele também.

Se não se confirmar sua saída para o Napoli, que a ‘arma’ que temos aqui, uma geladeira longa aquecendo banco, possa ensinar a lição.

Confiança é como pimenta: é bom na medida. Em excesso, estraga a receita.

 

Forte abraço, PMA

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