Alguns Passos Para Trás

Escudo do Flamengo cinzaO Flamengo demitiu Zé Ricardo ao final do primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Eu falei aqui – e queimei minha língua – que isto não aconteceria. Apostei no amadurecimento da gestão de futebol do clube e me dei mal.

O desempenho de Zé, em números absolutos, foi de 66,2% de aproveitamento no comando da equipe rubro-negra, atrás apenas de Fabio Carille, com incríveis 71,9% de aproveitamento. Se contarmos apenas o ano de 2017, o aproveitamento de Zé cai para aprox. 62%, o que não é suficiente para lhe tirar a ‘medalha de prata’, e o mantém com folga à frente de alguns treinadores não contestados e até aclamados, como por exemplo Renato Gaúcho, em 5° lugar com 59,5% de aproveitamento à frente do Grêmio, ou Abel Braga, em 7° e com 56,3% à frente do Fluminense.

A questão, no entanto, não é defender o trabalho do Zé, embora particularmente o tenha como excelente. O trabalho poderia ser pífio. Poderia estar eliminado da Copa do Brasil, da Sulamericana, no meio de tabela do Brasileirão e com um time sem proposta de jogo definida. Poderia ser o Celso Roth no lugar dele. Ainda assim, é imprescindível a estabilidade e continuidade dos trabalhos.

O Flamengo resolveu que precisa de um treinador novo para comandar a equipe. Então, no desenrolar de competições importantes, com reforços recém contratados ainda se adaptando ao futebol brasileiro e a equipe, começa-se a especular nomes no mercado. Ao invés de blindarem o futebol, passando segurança a equipe e comissão para concentrarem esforços nos objetivos do ano, criaram tensão e insegurança.

Engravatados que poderiam estar seguindo com suas rotinas normalmente, estão neste exato momento se fazendo perguntas de improviso como “Quem está disponível?”, “Será que fulano de tal vai se adaptar bem ao nosso ambiente e ao grupo de jogadores?”. É de um amadorismo medonho! Não à toa, quando na final do mundial, tomamos de 4 e não entendemos o porquê.

A questão não é o Zé Ricardo. A questão é a falta de gestão profissional sobre o futebol brasileiro. Quando o presidente Bandeira bancou o Zé Ricardo quando a pressão começou, parecia que ele tinha entendido.

Eu me pergunto se algum desses torcedores travestidos de conselheiros de clube (outra coisa que deveria ser extinta: conselho de clube – só servem pra torcedores endinheirados cornetarem o trabalho que está sendo feito) alguma vez viram o Real Madri ou o Bayern trocar de treinador no meio da temporada porquê insistiu com jogador A ou B e desagradou a parte da torcida.

O Flamengo segue crescendo, afinal, seu poder econômico continuará crescendo nos próximos anos. A mesma fórmula: mais receita, menos dívidas. Mas se o clube não assumir a vanguarda também na gestão do futebol, enquanto não começar a interromper a sequência de trabalho dos treinadores somente ao final de temporadas, nunca atingirá a meta de se equiparar aos gigantes europeus.

 

Forte abraço, PMA

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