Pai, o Barcelona é Camisa 7?

neymar_comemoracao_get_95Esta foi a pergunta que um menino de uns 3 ou 4 anos fez à mesa de um restaurante no Barra Shopping ontem à noite, bem à minha frente, quando estava jantando. A pergunta me chamou atenção, no que passei a observar o diálogo:

– Sim, filho, o Barcelona tem camisa 7. Mas tem outros números também.

– Pai, qual é o time de camisa vermelha?

– Bayern de Munique, filho.

Bayern????? Penso eu. Por que não Internacional? Talvez América, já que estamos no Rio de Janeiro? Ou mesmo Flamengo, que tem vermelho junto ao preto? Por que um time do exterior??? Continuo a observar:

– Pai, tem algum time de camisa azul?

Neste momento, já era capaz de prever a resposta que o pai daria: Chelsea, certamente. Entretanto, muito me surpreendeu quando o pai respondeu ‘Cruzeiro’. O diálogo deles rumou para outro assunto e eu, durante todo o jantar, nada fiz senão refletir sobre o futebol brasileiro e o rumo que tem tomado.

É sabido por todos, desde a época de Zico e Maradona, que os clubes europeus são mais ricos que os latinos. Por isso nossos craques sempre foram jogar lá. Mas em épocas passadas, não havia uma ‘invasão’ de clubes europeus em nossa terra.

Quando criança, na época de volta às aulas, eu queria ter o caderno do Flamengo. Era o meu time, aquele do qual me orgulhava. Na prateleira da papelaria era possível encontrar o item em vasta quantidade, além, é claro, das opções de Vasco, Botafogo, Fluminense e às vezes até mesmo Bangu ou América. Nos outros estados, a mesma coisa com times locais.

Hoje em dia, no entanto, quando entramos em uma papelaria, tem muito mais cadernos do Barcelona do que de qualquer outro time. Hoje em dia, os meninos andam na rua com camisas do Barcelona como antigamente se andava com camisas do Flamengo ou do Corinthians. Me parece que eles torcem para esses times. Digo isso porque sempre fui o tipo de torcedor incapaz de vestir camisas de qualquer outro time, seja lá de qual parte do mundo for. Sempre me orgulhei em dizer que sou Flamengo no Rio, em São Paulo, na Argentina, na Itália, na Espanha ou em outro planeta, se por acaso jogarem futebol por lá.

As crianças de antigamente, comentavam sobre os clássicos de domingo no Maracanã, as de hoje comentam sobre o jogo da Champions. Nada contra a Champions ou o Barcelona. Mas quando vejo um menino, como vi ontem, falar de clubes estrangeiros e não citar um clube brasileiro sequer, fica claro como os europeus sabem trabalhar suas marcas até mesmo fora de suas fronteiras, enquanto nossos clubes ainda brigam entre si por cotas de ingresso para bandidos travestidos de torcedores.

Isto também me faz lembrar do bom futebol outrora jogado aqui. Hoje, o bom futebol é jogado lá, e aqui se joga algo semelhante ao futebol, mas o objetivo deste jogo não é simplesmente vencer, mas sim vencer ludibriando a arbitragem e o adversário a todo custo. É de dar asco.

Nenhuma atitude sendo tomada, a tendência é que nossa grandeza fique cada vez mais no passado, e o futuro seja o encolhimento de nossas torcidas e clubes. Isto já está acontecendo com nossos vizinhos de língua espanhola.

Para reagir, os clubes precisam de gestão profissional fora de campo, e dentro das quatro linhas, que patrocinadores exijam que seja tratado como competição de auto nível, e não um jogo aonde se tenta fraudar o tempo todo.

Os europeus nunca foram maiores do que nós, sempre foram mais ricos. A disparidade econômica ainda existe, o que não pode existir é nosso apequenamento voluntário.

 

Forte abraço, PMA

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