E Agora, Muralha?

20161003200506_57f2e42202959Existem algumas doenças que consomem a sociedade contemporânea e, certamente, entre elas estão o ‘politicamente correto’ e o ‘sentir-se ofendido’. O Jornal Extra não foi politicamente correto e não há nada de errado nisto, mas este texto é uma reflexão a respeito do sentir-se ofendido.

O que é uma ofensa? Por que as pessoas se ofendem? Isso faz sentido? Veja, uma ofensa difere bastante de um dano. Se o repórter do jornal Extra entrar no Ninho do Urubu e bater nos braços do Muralha com um pedaço de madeira, ele terá lhe causado um dano. Isto acontecendo, terá sido algo ‘imposto’ ao goleiro, que nada poderia fazer. Portanto, não há como se rejeitar um dano. O dano sempre nos é imposto.

Por outro lado, se este mesmo jornalista, ao invés de agredi-lo fisicamente, diz ao Muralha que os braços dele não têm utilidade, ele não está impondo um dano mas OFERECENDO uma ofensa. Note, a ofensa não é imposta, ela não tem esse poder. Ela nos é oferecida, e nós a aceitamos somente e tão somente se permitirmos que nos atinja. E ainda assim, ela não causará a dor de um dano, e sim sofrimento, que é algo semelhante a dor, mas no campo psíquico e não físico.

Portanto, ofensa é algo que, no duro, não existe. Ou melhor, só existe para quem crê nela e a torna real em universo. É preciso ter fé na ofensa para que ela se materialize em sua vida. É preciso não conhecer a si mesmo para se deixar levar por esta ilusão chamada ofensa.

Se alguém dirige a mim palavras questionando a moral da minha mãe, existem apenas duas opções: ou a pessoa está falando a verdade ou está errada. Eu então olho para dentro de mim, examino minha vida e chego, das duas, a uma conclusão. Digamos que a pessoa está certa e minha mãe seja uma pessoa de moral duvidosa. Então, neste caso, eu não posso ficar ofendido pois a pessoa disse a verdade. Digamos porém que a pessoa esteja enganada e minha mãe não seja uma pessoa de moral questionável. Neste caso, ela está errada, e eu, de igual modo, não posso ficar ofendido. Se eu sei que ela está errada, como posso me ofender?

O goleiro Alex Muralha chegou ao Flamengo ‘bem cotado’, vindo de boas temporadas, especialmente no Figueirense. Aguardou pacientemente sua oportunidade e, quando Paulo Victor se machucou, entrou para o gol do Flamengo de forma tão incontestável que, não somente tomou a vaga do excelente antigo dono do posto, como chamou a atenção do treinador da seleção brasileira e, por méritos, conseguiu algo que é para poucos: vestir a amarelinha.

Algo aconteceu que o desempenho de Muralha vem despencando desde o início da temporada. Não sabemos o que é e talvez nem ele mesmo saiba. Mas de uma coisa eu sei: ninguém chega a seleção brasileira por acaso.

Caro Muralha, você tem uma nobre oportunidade em mãos. Você pode continuar a sentir-se ofendido e deixar-se abater, prejudicando ainda mais seu desempenho. Mas pode, a partir deste episódio, retomar a curva ascendente de sua carreira e voltar a ser o goleiro de seleção que foi até o ano passado. Nietzsche disse que, às vezes, é preciso muito caos para nascer uma estrela dançante. Que este caos em sua vida não o derrube, mas o fortaleça a ponto de fazer nascer sua estrela dançante.

 

Forte abraço, PMA

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