Enfrentando Nossos Medos

niño-con-pájaros-haciendo-frente-al-miedoO medo está na categoria dos temas que são tratados como tabus pela sociedade contemporânea. As pessoas têm medo de falar sobre o medo e, quando nas parcas tentativas de falar, não sabem como abordar o tema.

O medo é uma emoção, e toda emoção é inata, é uma espécie de “categoria a priori psicológica” do ser humano. Portanto, todo ser humano sente medo.

Pode se ter medo de perder um grande amor, ou mesmo do que fazer quando encontrá-lo, pode-se ter medo de perder o emprego e a estabilidade financeira, pode-se ter medo da perda de um ente querido em face a sua eminente partida. Pode-se ter medo de multidões ou de vazios, pode-se ter medo de entrar em locais sombrios ou de ser assaltado. Pode-se ter medo do sobrenatural ou até mesmo de qualquer pessoa que pareça diferente.

A questão é: como agir diante do medo? Em face ao que nos assusta, aos nossos maiores demônios interiores, como agir? Existem duas respostas comuns ao medo. Ficar inerte ao senti-lo ou ignorar o medo por completo.

Certamente a paralisia não é uma boa forma de lidar com um perigo iminente. Por outro lado, a atitude chamada destemida, isto é, ignorar os alertas enviados pelo medo frente ao perigo, é uma atitude autofágica, que conduz a pessoa para sua destruição.

Os antigos espartanos tinham um dito esclarecedor e muito didático à respeito do medo. Eles diziam: “O medo é uma constante. Aceitá-lo e aprender a usá-lo a seu favor é uma virtude”.

É exatamente o que o Teseu fez, 4 séculos antes dos espartanos elaborarem seu ditado, no famoso mito O Labirinto do Minotauro.

Na ilha de Creta havia um labirinto, debaixo do palácio do rei Minos, onde vivia o Minotauro. A criatura era alimentada de jovens que eram enviados como sacrifício. O labirinto tinha inúmeros corredores, salas e galerias, todos criados de uma maneira para nunca se achar a saída.

Imagine-se no lugar de um desses jovens rapazes, sendo enviado para um local escuro, sombrio e de arquitetura confusa, e ainda como alimento de uma criatura bizarra. É possível sentir o desespero. Perdidos no escuro, discutindo entre si, talvez algumas das jovens chorando… e concomitante, a respiração do Minotauro cada vez mais alta, sinalizando sua aproximação. O medo deles era tão grande que sequer lhes ocorria que seu barulho mostrava a direção para o Minotauro e o atraía para o caminho certo.

Teseu no entanto agiu de outra maneira. Certamente ele sentiu tanto medo quanto os demais rapazes e moças, mas não permitiu que este o deixasse sem ação ou ignorou seus sinais. O que Teseu fez foi usar seu medo a seu favor.

Ele sabia que se entrasse no labirinto de modo inconsequente, estaria desprotegido como os outros jovens que o Minotauro devorara. É provável que Teseu, ao adentrar o labirinto de maneira mais comedida, tenha observado detalhes sórdidos que seus colegas não viam, por estarem tomados pelo medo. Ele deve ter sentido mais que qualquer outro o cheiro de morte, e provavelmente foi o único a notar que os objetos que vez por outra tropeçava eram, na verdade, restos humanos espalhados em um ou outro corredor. Teseu teve mais motivos que qualquer outro jovem para desesperar-se face ao medo.

Por sugestão do construtor do labirinto, o arquiteto Dédalo, Teseu entrou no labirinto com o famoso novelo de lã. Ao entrar desenrolando o novelo, Teseu sabia que estava marcando o caminho de volta. Esta estratégia foi fundamental para o controle do medo. Caso seu encontro com o Minotauro fosse assustador ou se seu inimigo se mostrasse impossível de ser derrotado, ele poderia recuar e sair do labirinto sem entrar em aflição.

Por fim, Teseu derrotou a criatura e saiu do labirinto enrolando novamente o novelo.

O caminho para o enfrentamento do medo não é outro se não estar a altura daquilo que nos acomete. Usar o medo a nosso favor para que toda situação seja superada é a única e solitária saída para quem sente medo.

 

Forte abraço, PMA

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