Há Algo de Errado Comigo?

1d12805Quando minha mente está sã, só há duas coisas que podem me levar a crer que há algo de errado comigo: doença ou mal-estar. E aí reside uma enorme diferença.

Se meu corpo é atingido por algum problema cardíaco ou infecção bacteriana, posso ter sintomas desconfortáveis. Potencialmente, isto é bom. Os sintomas estão me avisando de que há algo de errado e, se é possível fazer algo para me curar, então os sintomas me ajudaram a sobreviver.

Portanto, há dores boas. De igual modo, nem todo prazer é necessariamente bom. Assim como a dor de dentes ou uma crise de apendicite nos avisam de que há algo de errado e que exige atenção, de igual modo, o vício em narcóticos serve de exemplo contrário. Embora injetar heroína seja supostamente muito prazeroso, causam-se danos terríveis para obter o dinheiro para comprar a droga e o próprio estilo de vida de um viciado não é lá muito agradável. Do mesmo modo, embora o sexo seja muito prazeroso, através dele pode-se contrair ou disseminar doenças fatais, como o HIV.

Seja como for, a doença nos faz sentir diferente de como sentimos normalmente, mas de uma maneira ‘interna’. Já o mal-estar, por outro lado, é de origem ‘externa’. Isso porque, de modo geral, as sensações de mal-estar são provocadas por estímulos que chegam até nós através dos cinco sentidos, especialmente a visão – que é o principal sentido do ser humano.

Imagine, por exemplo, que vivemos em uma cidade de interior e estamos caminhando pelas ruas do nosso bairro tradicional e, de repente, vejamos alguma coisa que não costumamos ver – um casal homossexual de mãos dadas, um mendigo esperando para pedir um trocado ou uma jovem de cabelos azuis e piercings espalhados por todo o corpo.

Essas pessoas não representam perigo ou ameaça, mas vê-las pode causar mal-estar. Por quê? Sobretudo porque as imagens que estão sendo captadas se chocam com alguma noção preconcebida sobre homossexualidade, prosperidade e moda.

Na verdade, só há três maneiras de lidar com este mal-estar.

a) Pode-se tentar remover essas pessoas do bairro e, portanto, de nossa linha de visão. Sem dúvidas isso iria criar muitos problemas, sendo que um dos mais importantes é violar o direito daquelas pessoas;

b) Podemos tentar convencê-los a serem mais parecidos conosco: heterossexuais, ‘trabalhadores’ e sem piercings. Isso seria um grande desperdício de tempo;

c) Podemos nos perguntar exatamente quais as crenças que fazem esses estímulos visuais nos causarem mal-estar. Já que essas pessoas que vemos não nos prejudicam, é mais fácil e melhor modificar nossos preconceitos para aceitar a homossexualidade, a mendicância e os piercings, em vez de tentar modificálos, corroborando com nossos preconceitos;

Isto se aplica a estímulos recebidos de todos os sentidos. Desde que o estímulo não cause danos, o mal-estar resulta, principalmente, de conceitos anteriores sobre o estímulo. Para banir o mal-estar e sentir conforto, basta banir os preconceitos.

Nossa vida é repleta de prazeres e dores, bem-estares/mal-estares e doenças. Embora a maioria das pessoas sempre consiga encontrar algo de errado em sua vida, a norma da vida é dita pelo bem-estar. O segredo da boa vida é atentar para os sinais recebidos de que alguma coisa está errada, e a partir deles, corrigir o que precisa ser corrigido.

 

Forte abraço, PMA

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