A Ideologia Que Mudou Nossas Mentes e Crenças – Marx e Gramsci

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Durante estes últimos anos, desde a chegada ao poder do PSDB, PT e PMDB, um pensamento sempre me incomodou:

“O que teria mudado, de forma tão radical, caráteres, sentimentos e esperanças de tantos brasileiros? Porque tantos brasileiros continuam apoiando de forma incondicional e até idólatra todos estes dirigentes e políticos corruptos?”

Esta questão me levou a conversar com um amigo mais experiente no intuito de entender melhor o que acontecia. Por indicação deste amigo passei a procurar as razões nas diversas literaturas disponíveis, começando por Marx e Gramsci, passando por muitos outros comunistas e socialistas, terminando minha pesquisa, por fim, no FORO DE SÃO PAULO.

Este longo texto não tem o objetivo de obter aprovação total ou parcial de quem o lê, mas  tão somente permitir que, ao lê-lo, seja possível fazer uma reflexão sobre essa subversão de pensamentos. Sinta-se à vontade para criticar, concordando ou não. O mais importante é que haja reflexão e MUDANÇAS – se assim lhe convier.

Referências Bibliográficas:

  • Alejandro Peña Esclusa
  • Carlos Azambuja
  • Hugues Portelli
  • Heitor de Paola
  • José Carlos Wagner
  • Marcelo Dornelas
  • Nemuel Muniz
  • Pe. James Thornton
  • Paolo Nosella
  • W.H.C. Eddy

 

Karl Marx

Não quero aqui fazer um estudo profundo sobre o Marxismo. Para falar de Marx precisaríamos de muito tempo. Existem muitas visões fraudulentas da história, mas Marx foi o maior falsificador, adotando o “materialismo histórico”, onde precisava ser provado de qualquer maneira, sob pena de ver ruir toda a estrutura charlatanesca que começara a inventar.

Já de início o comunismo foi baseado numa grotesca falsificação de estatísticas feitas pelo próprio Marx para justificar sua ideia de que a Revolução Industrial e o desenvolvimento capitalista tinham piorado a situação econômica dos trabalhadores ingleses. Um grupo de historiadores reunido por Friedrich von Hayek demonstrou cabalmente essa deturpação. Suas conclusões foram publicadas no livro Capitalism and the Historians: uma defesa do sistema primitivo de fabricação e suas consequências econômicas e sociais.

Por outro lado, o grande arquiteto da desinformação sistemática foi Felix Edmundovitch Dzerzhinsky, criador da primeira polícia secreta soviética, tcheca. Quando Lenin perguntou, ainda em 1918 a Dzerzhinsky, sobre qual estratégia deveria ser adotada para influenciar o resto do mundo, recebeu como resposta:

“diga sempre o que eles querem ouvir, minta, sempre e cada vez mais. De tanto repetir as mentiras elas acabam sendo tomadas como verdades”

O controle do futuro era absolutamente necessário para dar garantia às “profecias” de Marx em sua rivalidade com Deus e a bíblia: sua obra deveria substituí-la e, portanto, deveria ter suas profecias confirmadas, mesmo que a custa de centenas de mortos. Mikhail Bakhunin dizia que

“o sr. Marx não acredita em Deus, mas acredita profundamente em si mesmo. Seu coração contém rancor, não amor. Ele é muito pouco benevolente com os homens e se torna furioso e maldoso quando alguém ousa questionar a onisciência da divindade adorada por ele, quer dizer, o próprio Marx”

Pode se dizer o mesmo dos marxistas de todos os tempos: não passam de adoradores de si mesmos e de seus delírios de poder.

Partindo de uma observação acurada da mente humana, Marx percebeu, conscientemente ou não, a preferencia da humanidade por mentiras agradáveis a ter que conviver com verdades por vezes dolorosas. Ou pior, a um estado de dúvida, o mais temido e rechaçado de todos, embora o único que pode levar à introspecção e ao verdadeiro conhecimento. Substituiu então o velho lema socialista, “a cada um segundo o seu trabalho”, por outro mais agradável, “a cada um segundo suas necessidades”. Enquanto o primeiro inclui necessariamente algum esforço, o segundo acena com um estado de coisas paradisíaco ou nirvânico, no qual todos terão suas necessidades atendidas. A mudança é sutil, mas fundamental.

Antonio Gramsci

Nascido na Sardenha em 1881, Gramsci não era candidato a ser alguém que causaria um impacto significativo no século XX. Estudou filosofia e história na Universidade de Turim e rapidamente se tornou um marxista aplicado, alistando-se no PSI (Partido Socialista Italiano). Após a 1ª Guerra Mundial, estabeleceu seu próprio Jornal radical, A “Nova Ordem” e ajudou a fundar o PCI (Partido Comunista Italiano). Com o advento da “Marcha em Roma” e a nomeação de Mussolini como 1º Ministro, Gramsci escolheu a URSS de Lenin como o lugar ideal para um comunista.

Por ser um marxista fanático no tocante às teorias politicas, econômicas e históricas, Gramsci ficou profundamente perturbado pela Rússia comunista exibir poucas evidências em favor do amor profundo por parte da classe operária pelo “paraíso” que Lenin havia construído para eles. Com a morte de Lenin e a chegada ao poder de Stalin, Gramsci reconsiderou imediatamente sua escolha de residência, regressando para Itália a fim de lutar contra Mussolini. Tido como uma ameaça hostil ao fascismo italiano, Gramsci foi preso e condenado a muitos anos de prisão onde acabou morrendo em 1937.

Foi na prisão que dedicou os 9 anos de vida que lhe restavam à escrita. Na prisão escreveu 9 volumes sobre História, Sociologia, Teoria Marxista e, a mais importante, a Estratégia Marxista. Esses volumes são conhecidos como “Cadernos do Cárcere”, que foram publicados e distribuídos por todo mundo. A sua importância vem do fato de formarem os fundamentos duma nova e dramática teoria marxista, o que torna obsoleta a “revolução espontânea” de Lenin, prometendo conquistar, voluntariamente, o mundo para o marxismo.

Em nenhum lugar do mundo o comunismo chegou ao poder através de uma revolução popular, mas sim através da força e do subterfúgio. Os únicos levantamentos revolucionários populares registrados no século XX foram “contra-revoluções” anti-marxistas, tais como a revolta de Berlim em 1954 e o levantamento húngaro de 1956. Olhando para o século XX como um todo, torna-se claro que Marx estava errado nas suas suposições de que a maior parte dos operários camponeses estavam insatisfeitos com seu lugar na sociedade, se sentiam alienados da mesma, que eles tinham algum tipo de ressentimento contra a classe média e/ou a classe alta, ou ainda que eles tinham algum tipo de pré-disposição para a revolução.

Segundo Gramsci, a instauração de um regime comunista em países com uma democracia relativamente consolidada e estável, não podia se dar pela força, como aconteceu na Rússia, país que sequer havia conhecido a revolução industrial quando foi aprisionado pelos bolcheviques. Seria preciso, ao contrário, infiltrar lenta e gradualmente a ideia revolucionária (sem nunca declarar que isso estava acontecendo), sempre pela via pacífica, legal, constitucional, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subliminar, imperceptível aos mais incautos que, por sinal, representam a grande maioria da população. O objetivo somente seria atingido pela utilização de dois expedientes distintos: a hegemonia e a ocupação de espaços.

A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela análise de situação, de modo que, quando o comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência. Isso deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo intelectual coletivo (o partido), que as dissemina pelos intelectuais orgânicos (ou formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores – principalmente universitários – (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuir as mentalidades hegemônicas pela população.

Até então, a conquista da hegemonia, entendida como aceitação e concordância das massas com o comunismo, era resultado da conquista do poder do aparelho político do Estado pelo “partido de vanguarda” e, depois disto, a imposição pela força da ideologia totalitária. Gramsci, percebendo a inutilidade deste esforço na URSS, onde a repressão era constante e tendia a se eternizar, inverteu a fórmula: é necessário conquistar a hegemonia antes da tomada do poder que, neste caso, passaria a ser “indolor”, pois as massas já estariam pensando e agindo dentro das amarras comunistas do pensamento e a conquista do poder seria quase um “ato de rotina”. Só então o poder político eliminaria todas as resistências “burguesas” com o pleno apoio das massas, previamente convencidas de que o governo é seu legítimo representante.

A importância dos intelectuais nesta tarefa de doutrinação das massas é fundamental. O conceito de intelectual, no entanto, sofre uma ampliação semântica: passa a ser a totalidade dos indivíduos com qualquer nível de instrução que possam atuar na propaganda ideológica. Publicitários, jogadores de qualquer esporte, professores de qualquer grau, contadores, funcionários públicos graduados ou de estatais, profissionais da imprensa, do show-business, sambistas, roqueiros.

Gramsci definiu a sociedade como “um complexo sistema de relações ideais e culturais” onde a batalha deveria ser travada no plano das ideias religiosas, filosóficas, científicas, artísticas, etc. Por essa razão, a caminhada ao socialismo proposta por Gramsci não passava pelos proletários de Marx e Lênin nem pelos camponeses de Mao-Tsetung, mas sim pelos intelectuais, pela classe média, pelos estudantes, pela cultura, pela educação e pelo efeito multiplicador dos meios de comunicação social, buscando, através de métodos persuasivos, sugestivos ou compulsivos, mudar a mentalidade, desvinculando-a do sistema de valores tradicionais, para implantar os valores ateus e materialistas.

O comunismo de Gramsci é a “versão ocidental” do comunismo, e ao proclamar o diálogo e aceitar o debate, próprios dos sistemas verdadeiramente democráticos, trabalha sobre todas as formas de expressão cultural, atuando sob a cobertura do pluralismo, com a contribuição de todos aqueles que, por compartilhar a ideologia marxista, por snobismo, por conveniência ou por negligência, se somam voluntária e involuntariamente a essa nova expressão do “frentismo”, chamando “fascistas” ou “retrógrados” aqueles que se opõem a essa forma de pensar e atuar.

Nessa confusão de ideias, chega-se a substituir a contradição marxista de “burgues-proletário” pela de “fascista-anti-fascista”. O inimigo não é o patrão e sim o fascista. Assim surge o mito do fascismo, que nada tem a ver com o fascismo histórico, sem dúvida questionável.

Quem quer que defenda os valores da cultura ocidental é tachado de “fascista” e considerado genericamente como “um mal”. O grande erro dos comunistas, segundo Gramsci, foi o de crer que o Estado se reduz a um simples aparato político. Na verdade, o Estado atua não apenas com a ajuda do seu aparato político, como também por meio de uma ideologia que descansa em valores admitidos que a maioria dos membros da sociedade tem como supostos. A referida ideologia engloba a cultura, as ideias, as tradições e até o senso comum. Em todos esses campos atua um poder no qual também se apoia o Estado: o poder cultural.

Gramsci e a Religião

A necessidade de uma reforma intelectual e moral, para lograr uma mudança de mentalidade nas sociedades ocidentais que foram constituídas por convicções, critérios, normas e pautas segundo a concepção cristã da vida, é de suma importância para o triunfo da revolução mundial.

Porém, nesse propósito de formação de uma nova consciência proletária, o gramscismo encontra um obstáculo: a religião. De acordo com os estudos de Gramsci, a Igreja Católica, encarada como inimiga irreconciliável do comunismo, utiliza elementos fundamentais e comuns na sociedade, chegando a toda a população, tanto urbana como rural. O catolicismo, segundo Gramsci, é uma doutrina geral simplificada, a fim de atender a todos.

Analisando este fato, Gramsci chegou à conclusão que uma das chaves da sobrevivência do catolicismo ao longo dos séculos foi o fato de que em seu seio conviveram harmonicamente humildes e elites, sentenciando que “a igreja romana sempre foi a mais tenaz em impedir que oficialmente se formem duas religiões: a dos intelectuais e das almas simples”. Concluiu que era a Igreja Católica que inspirava a formação desse sentido comum cristão e, por conseguinte, era preciso erradicá-lo mediante uma ação não violenta já que essa via seria repelida pelas sociedades ocidentais, onde influi e gravita o consenso e a vontade das maiorias.

Gramsci afirmou que “os elementos principais do senso comum são ministrados pelas religiões e, por isso, a relação entre este e a religião é muito mais íntima do que a relação entre o senso comum e os sistemas filosóficos dos intelectuais”. Então, prossegue Gramsci, “todo o movimento cultural que tenda a substituir o senso comum e as velhas concepções do mundo deve repetir incansavelmente os próprios argumentos, variando suas formas”.

Gramsci deduziu que o mundo civilizado havia sido saturado com o cristianismo por 2000 anos e que esta era a filosofia dominante e o sistema moral na Europa e na América do Norte. De forma prática, a civilização e o cristianismo encontravam-se inextricavelmente ligados. O cristianismo tinha se tornado tão integrado na vida diária de quase todos, incluindo os não cristãos que viviam em terras cristãs, e era tão universal, que tornava quase uma barreira impenetrável para a nova civilização revolucionária que os marxistas queriam criar. As tentativas de demolição de tal barreira revelaram-se improdutivas uma vez que só geraram forças contra-revolucionárias poderosas, consolidando-as e tornando-as potencialmente mortíferas.

Devido a isto, em vez dum ataque frontal, seria muito mais vantajoso e menos perigoso atacar a sociedade do inimigo subtilmente com o propósito de transformar a mente coletiva da sociedade gradualmente, durante um período de algumas gerações, da precedente visão de mundo cristã para uma mais de acordo com o marxismo. Dessa forma, as novas concepções se difundem utilizando sofismas, dando novas interpretações aos fatos históricos e chegando a parafrasear o evangelho em alguns casos, mostrando distintos “ensinamentos” de determinadas passagens bíblicas, tal como a expulsão dos mercadores do Templo de Deus, utilizando-os como argumentos para justificar a violência e fortalecer a imagem do Cristo “guerrilheiro”, criada pelos “cristãos revolucionários”. Essas concepções, porém, não deverão ser apresentadas em formas puras, uma vez que o povo não as aceita na medida em que provoquem uma mudança traumática. Para isso, devem ser apresentadas como combinações, explorando “a crise intelectual e a perda da fé na concepção que se deseja mudar”. Por isso, diz Gramsci, não se deve enfrentar frontalmente a Igreja Católica, e sim criar os enfrentamentos em seu seio. Enfrentamentos que não sejam apresentados como provocados por causas exógenas e sim endógenas.

Segundo Gramsci, o domínio da consciência de grandes quantidades de pessoas seria obtido se os comunistas ou seus simpatizantes obtivessem o controle das instituições culturais, as igrejas, a educação, os jornais e revistas, os meios eletrônicos, a literatura séria, a música, as artes visuais e assim por diante. Ao obterem a “hegemonia cultural”, para usar os termos de Gramsci, o comunismo iria controlar as fontes mais profundas do pensamento e da imaginação do ser humano.

Segundo Gramsci, as fases para se obter a “hegemonia cultural” duma nação passa pela debilitação dos elementos da cultura tradicional, tais como:

• As igrejas – Transformando-as em clubes politicamente motivados, que coloquem ênfase na “justiça social” e no igualitarismo, onde as doutrinas milenares e os ensinamentos morais são “modernizados” ou reduzidos até o ponto da irrelevância;

• Educação genuína – Substituída por currículos escolares “emburrecidos” e “politicamente corretos”, e padrões (acadêmicos) reduzidos de modo dramático;

• Órgãos de Informação – Moldados de modo a serem instrumentos de manipulação de massa e de assédio e descrédito das instituições tradicionais e dos seus porta-vozes;

• Moralidade, decência e virtudes do passado são ridicularizadas incessantemente;

• Os membros tradicionais e conservadores do clero são caracterizados como falsos e os homens e mulheres virtuosos são classificados como hipócritas, convencidos e ignorantes;

A cultura não é mais um suporte de apoio à herança nacional e um veículo para transmissão dessa herança para as gerações futuras, mas sim um meio de “destruir as ideias… apresentando aos jovens não os exemplos heroicos mas apresentando de modo deliberado e agressivo os degenerados”, como escreveu o teólogo Harold O. J. Brown.

Isso pode ser visto na vida americana contemporânea, onde os grandes símbolos do passado nacional, incluindo os grandes presidentes, soldados, exploradores e pensadores, são caracterizados como sendo homens notavelmente “racistas”, e “sexistas” e, como tal, basicamente malignos. O seu lugar foi ocupado por charlatões pró-marxistas, pseudo-intelectuais, estrelas de rock, celebridades esquerdistas cinematográficas e por ai adiante.

Noutro nível, a cultura tradicional cristã é qualificada de “repressiva”, “eurocêntrica”, “racista” e, desde logo, indigna da nossa contínua devoção. Para o seu lugar, o primitivismo puro, mascarado de “multiculturalismo”, colocado como o novo modelo.
O casamento e a família, os tijolos de construção da nossa sociedade, são perpetuamente atacados e subvertidos. O casamento é caracterizado como uma conspiração dos homens como forma de perpetuar um sistema maligno de domínio sobre as mulheres e crianças. A família é descrita como uma instituição perigosa, centrada na violência e na exploração. Segundo Gramsci, a família patriarcal é precursora do fascismo, do nazismo, e até de todas as formas de perseguição.

Gramsci e o Controle do Pensamento e da Mente

Uma das maiores lições de Gramsci aos comunistas foi:

“não tomem quartéis, tomem escolas e universidades; não ataquem blindados, ataquem ideias gerando dúvidas e propondo o diálogo permanente, nunca apresentando certezas, mas devem estar preparados para preencher as dúvidas antes que a consciência individual o faça; não assaltem bancos, assaltem redações de jornais; não se mostrem violentos, mas pacifistas e vítimas das violências da direita”

O controle das consciências, através da modificação do senso comum deve ser o objetivo político maior. Entende-se por senso comum um conjunto de ideias inconscientes ou semiconscientes com os quais os indivíduos organizam suas vidas. Representa o conjunto de valores, tradições, filosofias, religiões, etc., aceitos consciente ou inconscientemente pela maioria de uma sociedade, herdadas das gerações mais antigas e dadas como certas em si mesmas. Não somente as normas morais e éticas, mas também certas crenças e “regrinhas” triviais das quais nem nos damos conta.

A modificação do senso comum e o controle das consciências são assegurados pelo domínio sobre os órgãos educacionais e de informação. O objetivo é o controle do pensamento na própria fonte, na mente que absorve e processa as informações, e a melhor forma de controlá-lo é modelar palavras e frases da maneira que sirvam aos propósitos hegemônicos. O controle da mente ocidental, além do uso desonesto da linguagem e das informações, é feito através da desmoralização proposital do ocidente por ataques corrosivos contra as instituições, promovendo ativamente o […] relativismo moral e cognitivo, a permissividade e o estímulo às transgressões e ataques concentrados à família tradicional […] as famílias “não tradicionais” e as “novas sexualidades”.

A verdade, tal como é conhecida há milênios, nada significa para um comunista, que a modifica de acordo com as necessidades do momento do processo revolucionário. Vem daí a infiltração nas universidades, sociedades científicas e culturais e, desde a escola primária, da ideia do pluralismo de ideias como máxima expressão “democrática”.

Umas das maiores fraudes inspiradas pelo gramscismo foi negar a existência do comunismo para liquidar como anticomunismo. A destruição de toda a tradição filosófica fazia parte integrante do projeto de Gramsci. É fundamental a destruição das bases da civilização ocidental judaico-cristã. Mikhail Gorbachov em 1987, já em pleno processo da Perestroika, um produto gramscista por excelência, afirmou:

“Não pode existir trégua na luta contra a religião porque enquanto ela existir, o comunismo não prevalecerá. Devemos intensificar a destruição de todas as religiões aonde for que elas sejam praticadas ou ensinadas.”

O principal meio para a destruição das religiões deixou de ser o ataque frontal, que poucos resultados deram, mas a infiltração nos seminários, das ideias marxistas, que resultou mais tarde na teologia da libertação, conforme sugerido por Gramsci, que percebera que a Igreja Católica seria indestrutível num confronto direto.

Para a revolução gramscista vale menos um orador, um agitador notório, do que um jornalista discreto que, sem tomar posição explícita, vá delicadamente mudando o teor do noticiário; ou um cineasta cujos filmes, sem qualquer mensagem política ostensiva, afeiçoem o público a um novo imaginário, gerador de um novo senso comum. Jornalistas, cineastas, músicos, psicólogos, pedagogos infantis e conselheiros familiares representam a tropa de elite do exercito gramscista.

A estratégia política de “transição pacífica para o socialismo” é montada sobre esta infiltração cultural; por esta razão é necessária a defesa intransigente do ambiente mais democrático possível. A diferença com os partidos verdadeiramente democráticos é que, para estes últimos, a democracia é um fim político em si, para o florescimento das liberdades de pensamento, religiosa e econômica. Já para o partido-classe não passa de um meio para acabar com ela assim que passem para o estágio seguinte: o da hegemonia e do consenso. Por isto estes partidos são os mais intransigentes defensores da ampliação e aprofundamento das franquias democráticas e de conceitos tais como cidadania.

Quando cidadania toma lugar de cidadãos e cidadãs, troca-se o indivíduo pelo coletivo e cria-se uma categoria de fenômenos sociais para se substituir os indivíduos. Por democracia entenda-se a ampliação do Estado através dos organismos privados como ONG’s. O ativismo destas últimas as tornam, frequentemente, competidoras do Estado ao assumir algumas funções estatais, como as relativas a direitos humanos, ambientalismo, paz, desarmamento, racismo, proteção a infância, às mulheres, às minorias, defesa do consumidor, etc. No seu conjunto, constituem o que se chama “sociedade civil organizada” levando a uma ampliação do Estado, ao “Estado ampliado”, não mais dirigido pela política, mas pela ideologia do partido-classe.

A sociedade civil passa a indicar a direção política e cultural e a exercer algumas das funções que tradicionalmente cabem ao governo. Passa-se, portanto, ao largo da esfera legislativa, principalmente, passando por cima das decisões do Congresso Nacional. E também avilta a ação da justiça levando juízes e desembargadores a relativizar a aplicação da lei.

O conceito de legalidade é substituído paulatinamente pelo de legitimidade, sendo esta última determinada não pelo aparelho de Estado, mas pela sociedade civil. Estas transformações lentas e graduais, segundo Gramsci, são fundamentais para tomada pacífica do poder, pois constituem o cerne da transição pacífica para o socialismo.

 

Texto de Carlos Santos da Cruz

 

Forte Abraço, PMA

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