A Dor da Separação

3176042629_1_2_BGJWAnmzO que é uma separação? Um só coração, caminhos distintos. Pessoas que se amam, cujo destino preparou peças distintas em locais diferentes.

Um local distante, um outro país ou continente ou mesmo o sono eterno; tanto faz. É sempre uma separação, é sempre doloroso. Perder alguém é como ter um membro do seu corpo amputado, decepado. Um afastamento abrupto, é sofrer um apartamento inesperado.

Quem vai deixa saudade e leva esperança, quem fica, se apega à memoria dos bons e inesquecíveis momentos. Todos se unem sob a certeza do melhor. Mas sempre há um desejo amordaçado de que poderia ser diferente.

O corpo que perde seu membro o quer de volta tanto quanto o membro decepado quer voltar para seu corpo. É natural. Foi assim que teve início a guerra de Tróia. Foi assim também que Alfeu, o espírito de um rio grego, perseguiu sua amada Aretusa até a Sicília, para que ela voltasse a banhar-se em suas águas e se casasse com ele. Reza a lenda que, na cidade de Siracusa, até hoje, há uma fonte onde, de quando em quando, surgem flores típicas da Grécia que são trazidas pelo rio apaixonado.

No entanto, um membro decepado dificilmente retorna a seu corpo. Num primeiro momento, a dor somada a sensação de perda podem ser embriagantes. Helena de Esparta misturava no vinho de seu marido, o rei Menelau, e também do jovem Telêmaco (filho do herói Ulisses) um pouco de nepantes, uma misteriosa poção que apagava a dor e a angústia. Algumas doses de nepantes podem proporcionar um dia livre de lágrimas e sofrimentos.

Se não podemos percorrer como loucos a distância de um mar em perseguição a quem nos foi tirado, como fez Alfeu, por outro lado, podemos atravessar oceanos, mesmo que esporadicamente, e receber momentos notálgicos como recompensa pela capacidade de resiliência e paciência.

Se não há nepantes para comprar na farmácia, facilmente podemos pensar em anestésicos substitutos, ou mesmo substitutos temporários e motivadores, que hão de nos ensinar a recompor o corpo e os espaços, a reaprender a fazer todas as atividades do dia a dia com o novo corpo decepado, sem que se perceba que este agora é aleijado.

A dor da amputação cessa, porém o sofrimento perdura. O sofrimento pode ser aliviado pelos nepantes contemporâneos, mas não há garantias de sua extinção. Para que isto aconteça, é necessário um alvorecer de uma nova era de sensações, é preciso deixar de carregar o peso da separação.

Let it go.

 

Forte abraço, PMA

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