A Ideologia Que Mudou Nossas Mentes e Crenças – Como Essas Ideias e Ideologias Chegaram ao Brasil

maxresdefaultO Brasil é o país onde a infiltração gramscista obteve maior êxito.

Em 1983 fervia entre os educadores o debate sobre compromisso politico e competência técnica. Polemizava-se contra a dicotomia entre o educador-político e o educador-técnico. A conjuntura política dava oportunidade para a explosão daquele debate: os governos militares, que estavam sendo forçados a passar o poder aos civis, haviam enfatizado a dimensão tecnológica, as competências específicas e a prática do ensino como treinamento; ao contrário, a emergente democracia destacava o sentido e a necessidade do engajamento político da prática cientifico-pedagógica.

Teoricamente, o debate dos educadores encontrou nos escritos de Gramsci um grande alento. Calcula-se que mais de 40% das dissertações e teses de mestrado e doutorado em educação, produzidas na década de 80, citavam Gramsci como principal referência teórica. Suas frases eram citadas, em epígrafe, nos projetos ou propostas de política educacional de várias secretarias de educação, estaduais e municipais. O nome de Gramsci era citado com grande frequência nos congressos e nas reuniões de várias associações científicas e sindicais dos educadores. A literatura sobre ele e dele era sempre bem-vinda e até mesmo bem vendida.

O primeiro saldo positivo dessa onda de estudos marxistas, sobretudo da visão gramscista, foi o abandono por parte dos educadores do velho marxismo ortodoxo stalinista e a adoção sistemática da crítica ao tradicional didaticismo técnico. Privilegiou-se a visão teórica que explica o fenômeno escolar pela sua relação com a sociedade, com a economia e com a política. O discurso repleto de citações gramscistas era, para os educadores de duas décadas passadas, elemento de distinção cultural que os prestigiava em relação aos tradicionais pedagogos didaticistas. Gramsci e também Paulo Freire tornaram-se bandeiras de orgulho e estímulo para a organização político-sindical dos pedagogos.

Observe-se, também que, durante esses anos de transição do autoritarismo militar para a democracia, ganhou relevância o termo “educador”, sobrepondo-se ao de professor, justamente porque educador, semanticamente, explicitava a necessidade do engajamento ético-político dos professores.

Enfim, durante os anos 80, o pensamento pedagógico se “atualizou”, se arejou ao assumir sua dimensão de engajamento politico. Novos conceitos e novas perspectivas teórico-práticas enriqueceram os debates no campo da educação, onde com muita frequência utilizavam-se termos e conceitos até então desconhecidos, tais como “sociedade civil e política”, “hegemonia”, “ideologia e contra-ideologia”, “intelectuais orgânicos e tradicionais”, “educação como ato político-partidário”, “educação e cidadania”, etc.

Nos congressos de área (nacionais, estaduais, regionais e municipais), os especialistas da educação afirmavam que a relação pedagógica-científica era fundamentalmente uma relação de hegemonia política. Assim instigavam professores a buscarem uma forma de relação profissional que fosse ao mesmo tempo uma nova relação hegemônica-política, isto é, a hegemonia da classe trabalhadora. Como vimos, esse movimento político dos educadores, ao longo desses mais de 20 anos, engrossou o movimento político nacional que desaguou nas vitórias eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT).

Gramsci desacreditava de uma tomada de poder que não passasse por uma reformulação da mentalidade, onde os intelectuais seriam peças-chave nessa nova estratégia e para isso se utilizaria da escola como mecanismo doutrinador. Os conceitos de Gramsci foram praticados décadas mais tarde pelo comunista Paulo Freire no Brasil.

Freire teorizou e desenvolveu uma metodologia seguindo noções de pedagogia crítica e instrução popular no seu livro “Pedagogia do Oprimido”, obra em que o aluno é incentivado a ser ver como o oprimido e passivo de uma exploração por uma elite dominante. Trata-se de uma doutrinação nos ideais comunistas. É o que confirma o próprio Paulo Freire no livro “Medo e Ousadia”, ao afirmar que incentivava os alunos a lerem os conceitos de Gramsci:

“Assim meu rigor e minha posição política me levam a ajudar os estudantes, ensinando-os a ler. Como posso fazer isso? Faço isso simultaneamente com a leitura de Hegel! Isto é, em vez de dizer aos estudantes que precisam ler o primeiro capítulo deste livro de Hegel ou daquele livro de Gramsci, leio um capítulo com eles durante todo o tempo do seminário.”

A hegemonia pregada por Gramsci faz com que todos os brasileiros, independentemente da idade, da condição socioeconômica e dos graus de instrução que tenham atingido, pensem de maneira uniforme sobre todo e qualquer assunto, nacional ou internacional. O poder de manipulação é tamanho que até mesmo o senso crítico fica completamente imobilizado, incapaz de ajudar o indivíduo a analisar as questões de maneira isenta. Os exemplos são numerosos: do desarmamento ao aborto, da eutanásia ao movimento gay e às políticas sociais, do racismo ao trabalho escravo, da inculpação social pelos crimes individuais à aceitação do caráter social de movimentos comprovadamente guerrilheiros (FARC, MST, MLST, MIR, ETA, etc); todos eles visando destruir por completo, valores que a sociedade tinha entranhados em sua alma, mas que, justamente por isso, não servem ao interesse do partido.

Uma vez superada a opinião que essa mesma sociedade tinha a respeito de várias questões, atinge-se o que Gramsci denominava superação do senso comum, que outra coisa não é senão a hegemonia do pensamento.

Cada um de nós passa, assim, a ser um ventríloquo a repetir, impensadamente, as opiniões que já vêm prontas do forno ideológico comunista. E quando chegar a hora de dizer agora estamos prontos para ter realmente uma democracia (que na verdade, nada mais é do que a ditadura do partido), aceitaremos também qualquer medida que nos leve a esse rumo, seja ela a demolição de instituições, a abolição da propriedade privada, ou o fim mesmo da democracia como sempre a entendemos até então, acreditando que será muito normal que essa volta à pseudo-democracia se faça por decretos, leis ou reformas constitucionais. Afinal, Hitler também não fora eleito pelo povo e não passara a ditar normas legais?! É exatamente a superação do senso comum, que faz com que todos acreditem piamente que a contra-revolução de 1964 não passou de um ato impensado dos militares que, à falta do que fazer, decidiram implantar uma ditadura.

Se a guerrilha e o terrorismo foram vencidos no campo militar, os governos que os enfrentaram descuraram completamente a educação e a cultura, sem perceberem que aí residia a nova ofensiva que acabou levando os derrotados de ontem a serem os vencedores de hoje. É bem verdade que os governos militares tentaram fazer alguma coisa neste sentido, instituindo os cursos de Moral e Cívica com a intenção de despertar a consciência cívica da juventude e cultuar os valores cristãos e democráticos.

Cedo, entretanto, os agentes gramscistas perceberam o filão que estes cursos representavam para doutrinação e neles começaram a colocar como professores seus agentes de influência e idiotas úteis para fabricarem mais idiotas úteis desde a infância. Os espaços foram ocupados também nos cursos das áreas humanas como direito, psicologia, história, geografia e ciências sociais. Até mesmo centros de excelência em pesquisas científicas, como o Instituto Oswaldo Cruz, foram dominados. As faculdades passaram a ser verdadeiras escolas de reformadores sociais, abandonando por completo a primazia do conhecimento; preconceito burguês que deveria ser destruído. Não se trata mais de conhecer o mundo, tarefa primordial da humanidade, mas de modificá-lo, emburricando com isto várias gerações meramente repetidoras de slogans, incapazes de pensar por si mesmas.

No front externo, Miguel Arraes, Marcio Moreira Alves e outros, criaram, em outubro de 1969, em Paris, a Frente Brasileira de Informações, ligada a organizações de esquerda, de oposição ao governo militar do Brasil. Os recursos ou vieram da Argélia, via Miguel Arraes ou eram produtos de assaltos terroristas no Brasil, como o grupo terrorista VAL-Palmares, que em 18 de junho de 1969 roubou um cofre em Santa Teresa, Rio de Janeiro, com a quantia de 2,5 milhões de dólares, e da ALN de Carlos Marighella que, contando com o com o atual Ministro das Relações Exteriores do governo Temer, Aloysio Nunes, assaltou o trem pagador Santos-Jundiaí, levando 108 milhões de Cruzeiros Novos.

 

Texto de Carlos Santos da Cruz

 

Forte abraço, PMA

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