Lacrimosa Pátria

CkyK-bUXAAAYGjm“Digam ao povo que a república está feita”. Estas foram as primeiras palavras do Regime Provisório Republicano Brasileiro. Marechal Deodoro da Fonseca as proferiu depois de saber que Visconde de Ouro Preto, chefe do Conselho de Ministros que ele acabara de depor na manhã daquele mesmo dia, fora substituído por Gaspar Silveira Martins, seu “arqui-inimigo”.

A notícia era falsa e chegara aos ouvidos do acamado Marechal por articulação dos conspiradores Benjamin Constant e o jornalista Quintino Bocaiúva, ambos inimigos da monarquia. Como estes fatos se deram na ausência do imperador e contra um regime constitucionalizado, a república fora proclamada provisória até que um plebiscito fosse convocado e o povo decidisse entre monarquia e república. O Plebiscito foi convocado 104 anos depois, em 1993 e, embora fosse muito jovem para votar, pude acompanhar as campanhas em favor da monarquia, do presidencialismo e do parlamentarismo.

Não há dia da proclamação da república. Se há algo a ser lembrado hoje, este é o golpe militar contra a monarquia brasileira e as conspirações que resultaram neste.

É expressivo, porém, que ontem um ex-presidente que está preso tenha prestado depoimento em juízo como réu em um dos muitos processos por corrupção a que responde. E que ele tenha agido de modo muito semelhante ao que Benjamin Constant faria em seu lugar, tentando ludibriar, negar evidências a fim de eternizar mentiras tal qual o “dia da proclamação da república” que nunca fora proclamada.

Expressivos também são os investimentos planejados por diversos mercados para o próximo ciclo. Se por um lado espantosos pela “repentinidade”, por outro, naturais como a cena de Atena cravando seu cetro no peito de Hades ao som de Lacrimosa, e estabelecendo o fim do reinado maligno do deus sombrio que pilhava e aterrorizava.

Desde o golpe contra a monarquia que ficou conhecido como “proclamação da república” até o presente, o Brasil vinha sendo governado por Hades, sua dupla de cruéis deuses vassalos, Hypnos e Thanatos, e sua horda de espectros. Nas últimas eleições isto mudou. Hades está morto. Estamos retomando nosso país. A partir das Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional, a luz que por mais de um século fora bloqueada, volta a brilhar novamente. Não há mais espaço para as trevas. Não há mais espaço para Quintinos Bocaiúvas.

O vermelho do sangue, do idealismo decaído, se vai junto ao preto das trevas que acobertavam o obscuro, o impronunciável, o indizível, e que para Hades e sua horda deveria permanecer oculto.

O verde ressurge. Senão mais como símbolo da casa de Bragança, como cor da esperança. O amarelo também, que já não representa a imponente casa de Habsburgo, mas a luz que ilumina a nação para que as trevas não mais voltem.

Viva o Brasil!

 

Forte abraço, PMA

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