Aquela para Quem o Sol Brilha

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Um homem pode ter muitas mulheres. Muitas vezes, mais do que possa contar, se lembrar ou dar conta. Ainda assim jamais deixará de ser tocado por aquela cujo rosto resplandece diante dele, aquela cujo sorriso e olhar sejam de hecceidade tamanha que até mesmo o Grande Astro reconhece, enviando algumas doses extras dos mais brilhantes raios. A esta, o homem tende a dispensar seu maior carinho e cuidado, carregando-a consigo em seu coração, na parte mais nobre dele.

Talvez eu mesmo tenha tido menos mulheres do que o adolescente desejara mas mais do que tenha merecido. Talvez tenha dedicado pouca vida a algumas e perdido olhares que mereceram outra altura. Talvez tenha amado de mais ou de menos, porém, a todas amei.

Amei cada uma como se não houvesse nada para além do belo fim de tarde anunciado no horizonte crepuscular. Amei com doses fortes e concentradas de amor, e também com doses moderadas como whisky misturado ao gelo. Amei, entre tantos amores, aquela cuja alma tocou a minha.

No séc. XIII a.c. o poderoso faraó Ramsés II foi um homem de muitas mulheres. Procurou ter o máximo de filhos possível com o maior número de mulheres. Mas ele não apenas se deitou com elas ao contrário do que uma leitura precipitada possa sugerir; ele as amou. Amou cada uma a sua maneira conforme sua feminilidade.

Sensível ao que de feminino existe em cada mulher, não foi imune ao encanto daquela cujo rosto resplandeceu ante seu olhar. Nefertari, uma notável mulher e esposa roubou seu coração. Ramsés correspondeu ao seu amor com manifestações concretas, cuja mais emblemática pode ser visitada por qualquer turista que viaje ao sul do Egito.

Há um famoso templo na cidade de Abu Simbel construído com o único objetivo de enaltecer as qualidades da amada do rei. Ao lado da imponente estátua de Nefertari esculpida na rocha junto ao deus Amon, à entrada do templo encontra-se a seguinte inscrição:

“Aquela para Quem o Sol Brilha”

O Egito antigo brindou a humanidade com uma série de mulheres notáveis: Hatshepsut, a primeira mulher-rei, no séc. XVI a.c. e inventora dos famosos obeliscos. Nefertiti, aquela cujo busto é admirado como símbolo de beleza até os dias de hoje, Cleópatra VII, a brilhante estrategista e famosa amante de Júlio César. Mas nenhuma delas amou e foi amada como Nefertari.

Posso não ter o poder de fazê-la rainha, tampouco construir um templo em sua homenagem. Posso talvez não viver todos os meus dias ao seu lado, como Ramsés que viveu mais de 20 anos inconsolavelmente triste após a morte de sua amada. Mas por Zeus, hei de reconhecer e enaltecer minha Nefertari!

A ela presto homenagens não com templos ou coroas, mas com o que tenho de mais precioso: minhas palavras.

Minha Nefertari, saiba que o Sol brilha mais iluminado quando você está presente. Saiba que a profundidade em seu olhar, seus sorrisos sinceros, seu imponente tom… sua perfeição faz do dia mais alegre e a noite menos escura.

Que o destino não nos apunhale com o sofrimento de uma vida apartados um do outro. Chega de Julietas e Isoldas. É tempo de florescer o amor de Nefertari.

 

Pedro Madsen Andrade

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