Perigoso Flamengo

facebook_1547033871308Se o Flamengo fosse gente, seria diagnosticado com transtorno de personalidade bipolar grave, indicado pelo código F.31 no CID-10 (Catálogo Internacional de Doenças). Não é novidade para ninguém que só existe céu e inferno na Gávea; ou é muito foda ou é um lixo. Quer um exemplo?

O time favorito a tudo no ano passado de repente estava cheio de carências e precisando de muitos reforços. Laterais, meio, zaga, ataque… Mas então se anuncia a contratação de um centro avante questionado até outro dia e um excelente meia vindo do time mineiro e pronto, rumo a Tóquio!

Para a torcida que é parte essencial disto que caracteriza o Flamengo e faz do Flamengo mais Flamengo em toda situação eufórica ou depressiva, esta euforia é normal. Ela age como sempre agiu e agirá, cumprindo seu “papel” no ciclo de flamenguices que perpetua o Flamengo como Flamengo.

Por outro lado, quem está nos bastidores já deveria ter aprendido que não se deve jogar lenha nessa perigosa fogueira flamenga criada pela torcida e ratificada pela mídia. Antes mesmo da formalização dessas contratações o presidente foi filmado afirmando categoricamente: “vamos ganhar a p… toda!”. Agora dirigentes gritam em polvorosa nas redes sociais “isso é só o começo”, cheios de orgulho. Como se houvesse algo do que se orgulhar em transformar a expectativa megalomaníaca da torcida em obrigação de títulos no primeiro minuto de bola rolando pelo campeonato carioca.

Não é exclusividade do Flamengo ter dirigentes que agem como torcedores, mas com o legado da diretoria anterior, o Flamengo podia ter aprendido alguma lição. Encabeçada pelo presidente, a diretoria anterior procurou criar uma cultura de colocar a razão à frente da emoção (o que é raríssimo no futebol brasileiro), e por isto levou o clube a este patamar, disponibilizando, através de muito esforço e contenção de euforia, os tais 100 milhões para contratações deste início de 2019.

Mas os dirigentes atuais do Flamengo fazem questão de esquecer isso e voltam a agir como torcedores. Torcedores são cegos e pensam exclusivamente no momento. Nenhum torcedor lembra que se empolgou e gritou rumo a Tóquio quando o Flamengo anunciou a contratação do Geuvânio logo depois do ER7. Tinham certeza que veriam o Geuvânio do Santos atuando ao lado dos Évertons e do Guerrero destruindo as defesas adversárias. Mas se lembram do fracassado Geuvânio que não atuou decentemente uma vez sequer, e ainda “culpam” a diretoria por isso, como se a contratação tivesse sido feita em cima do que o Geuvânio apresentou e não do que todos (diretoria, imprensa e torcida) achavam que ele iria apresentar.

O que os dirigentes do Flamengo pensam estar fazendo é criar um astral favorável, proporcionando momentos eufóricos que o torcedor adora. E estão. Mas fazem muito mais por eles mesmos pois deixam seu lado torcedor aflorar e, como torcedores, o que realmente querem é esta euforia. Isto tudo nada mais é do que um momento narcísico burro.

Estes mesmos torcedores travestidos de dirigentes se esquecem de que esta euforia é efêmera e dura tanto quanto uma poça d’água num dia de 40° e sol escaldante do verão do Rio de Janeiro. O que permanece disso tudo é a obrigação que vem junto. A partir de agora o Flamengo se auto-obrigou a ganhar todos os títulos que disputar no ano e com atuações convincentes! E ainda fomentou a mídia e a própria torcida a lhe cobrarem isso. Só que não vai ganhar. Não por incompetência, mas simplesmente porque nenhuma equipe no futebol brasileiro tem condições de tal façanha. Não existe um Flamengo nível “S” jogando contra adversários nível “B”. Há um grande equilíbrio entre os clubes e por isto mesmo ninguém ganha tudo todo ano, salvo raríssimas exceções como o time do Zico de 81, ou o Santos do Pelé de 62.

O mal estar vivido pelo clube no último semestre (e em muitos outros de sua história),  cheio de cobranças e tensão devido a mesma euforia criada no início do ano, já foi totalmente esquecido. É como se isso jamais tivesse acontecido na história do Flamengo ou jamais possa acontecer novamente.

Mesmo que o Flamengo comece bem o ano, em algum momento vai ratear, o que é normal. Mas quando isto acontecer, a proporção desta euforia de quem hoje brinca sobre contratar Messi e CR7 será a medida da pressão criada.

Quem está eufórico por causa do Gabigol e do Arrascaeta com certeza vai ficar puto lendo isso agora. Mas você pode “printar” e lembrar disso quando ficar revoltado quando duma vitória escapada contra um Améria-MG da vida fora de casa. Quem sabe assim, aos poucos, não começamos a aprender conosco mesmos e absorvermos algo do legado da diretoria anterior.

 

Forte abraço, PMA

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