O Tempo Fenomenológico

shutterstock_223373068-810x440Nossa concepção tradicional de tempo nos faz pensá-lo necessariamente de modo cronológico, como uma sucessão linear de presentes fugazes que estão sempre num fluxo contínuo em direção ao passado. Deste modo o passado se torna um depósito de presentes e o futuro um presente vindouro. E nós temos a sensação de nos movermos em direção ao futuro. Apesar de nos parecer natural e óbvio num primeiro momento, esta é apenas uma das muitas maneiras de se pensar o tempo (e relacionar-se com ele). Veja dois exemplos de maneiras diferentes de se pensar o tempo aqui e aqui.

Um outro modo de se pensar o tempo – particularmente importante para as filosofias e psicologias existenciais, é o Tempo Fenomenológico. Para a fenomenologia o tempo jamais é experienciado separada e individualmente. Aqui, passado, presente e futuro estão sempre entrelaçados e não podem existir distantes um do outro. O passado está comprimido no presente, e passado/presente, a todo instante, antecipa o futuro. Este é o chamado Campo Temporal.

O campo temporal funciona de modo circular: embora o tempo passado já tenha acontecido, não está encerrado; e o futuro, apesar de ainda não ter acontecido, já existe como possibilidade e promessa. O presente, por sua vez, é a decisão, a consumação de uma realização dessa temporalidade simbiótica.

Veja, enquanto escrevo, penso nas palavras e sentenças que pretendo imprimir no texto. No entanto, só posso fazer isto porque estes conteúdos estão em meu passado que está condensado e insurge no meu presente. Os conteúdos de palavras e sentenças que estão no meu passado/presente são o que permite a antecipação de futuro, isto é, de palavras e sentenças a serem impressas no texto. E a todo instante esta transação de conteúdos entre passado/presente e futuro se consuma no presente, quando concretizo a impressão de palavras e sentenças no texto.

Por isto alguém sem passado é também alguém sem futuro e consequentemente sem presente, pois não há presente a se consumar. Por outro lado, alguém cujo passado assume maior importância no campo temporal, destacando-se de presente e futuro, estreita de tal modo presente e futuro que também torna-se alguém sem futuro. Para ele não há antecipação de futuro, mas projeção de passado no futuro, e consequente consumação de passado/futuro no presente. O presente nada mais é senão mera repetição de passado.

O tempo é um círculo dinâmico onde passado, presente e futuro estão constantemente atuando um sobre o outro, e assim permitindo que possamos experienciar a vida temporalmente.

A esta concepção, agradeçamos a Heidegger.

 

Forte abraço, PMA

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