Romário – O Herói

58d146f46b83eHoje se completam 26 anos de um dos jogos mais importantes da história da seleção brasileira. Se você não era vivo naquela época, talvez pergunte o que há de mais num jogo de eliminatórias contra a regular seleção do Uruguai.

Hoje em dia existe tanta gente interessada na tabela da Premiere League quanto do Brasileirão. Hoje existe gente que literalmente torce para a Argentina ou para a Alemanha. Hoje em dia, por mais fanático por futebol que você seja, você também discute política no bar. E quando discute futebol fala da Champions, do Real Madri e do Cristiano Ronaldo em algum momento.

Em 1993, porém, o Brasil basicamente se resumia a futebol. E o melhor futebol era jogado aqui. Ninguém sabia nada da Champions, exceto talvez quem era o atual campeão. Os tempos eram outros. A importância da seleção para o país nesta época era de uma dimensão que já não existe mais. O povo se via na seleção. O lema da Copa de 70 ainda era um epíteto vivo:

“90 milhões em ação, pra frente Brasil! Salve a seleção!”

Naquele jogo 26 anos atrás havia uma pressão inimaginável sobre o Brasil. E os jogadores, por mais experientes que fossem, não estavam conseguindo lidar com aquilo. Pela primeira vez na história, apesar de recheada de craques como sempre, a seleção patinava nas eliminatórias. Mesmo craques como Bebeto, Raí, Müller, etc. não estavam resolvendo. Romário, por outro lado, era o nome do momento, um craque que se destacava no meio de outros craques. Mas não jogou as eliminatórias por birra do Parreira.

Eliminatórias estas que, desde que existem, não tinham visto a seleção brasileira sair derrotada de campo uma vez sequer. Brasil sair de campo derrotado em um jogo de eliminatórias era simplesmente inimaginável, impensável. Mas naquelas eliminatórias aconteceu. E não foi para a Argentina de Caniggia , para a Colômbia de Valderrama e Rincon ou mesmo o Uruguai, mas para a fraca Bolívia. Um golpe que foi sentido.

O Uruguai, por sua vez, àquela época ainda carregava a mística da histórica vitória por 2×1 de virada na final da Copa de 50 em pleno Maracanã. Os jogadores uruguaios tinham um costume ritualístico de sinalizar 2×1 com os dedos das mãos uns para os outros quando enfrentavam o Brasil, relembrando a final de 50 como sinal de confiança.

Brasil e Uruguai haviam se enfrentado duas vezes no ano anterior, uma vez em cada país, mas ambos os jogos vitória do Uruguai. Apesar do Brasil jogar pelo empate, a imprensa falava abertamente num segundo Maracanazo.

O Brasil precisava do empate para ir a Copa do Mundo e o Uruguai da vitória. Quem vencesse ganhava a vaga e eliminava o rival. Pela primeira vez na história, a seleção tremeu. E o Brasil temeu ficar fora da Copa, o que seria mais catastrófico que os desastres políticos que nos assolam hoje em dia.

Neste momento, na hora da verdade, quando não há mais o que se fazer senão rezar pelo melhor, o treinador finalmente cedeu e chamou O cara. Possivelmente pensando muito mais em não ser crucificado sozinho em caso de desastre do que realmente acreditando em seu talento e poder de decisão. E O cara aceitou. E entrou na maior roubada da história da seleção.

Nessas horas, porém, os heróis surgem. Em momento algum Romário duvidou do que iria acontecer. Ele já sabia que ia acontecer. Disse dias antes do jogo “eu vou classificar o Brasil pra Copa”. Para ele nunca foi furada, era a certeira redenção.

Os grandes mantêm-se sempre em alto nível. Os heróis aparecem quando precisamos deles. Assim que a bola rolou Romário deixou claro que veio para cumprir o que prometera. Meteu bola na trave, foi puxado dentro da área, sofreu pênalti não marcado, deu caneta, passou no meio de três, acertou a rede pelo lado de fora… aprontou o diabo contra o temível adversário. Temível? Só para os mais de 100 mil torcedores presentes e o resto da população. Para ele, apenas mais uma vítima. Fez os 2 gols da vitória sendo o segundo talvez o mais belo gol da história da seleção.

Neste dia, nenhum outro nome que não o de Romário passava pelas cabeças e corações dos brasileiros. Neste dia ele se tornou o único ser humano na história a ter um dia de Ayrton Senna.

Você pode não gostar do jeito dele, achar que ele não foi isso tudo ou simplesmente não suportar a marra dele. Não importa. Romário foi, por um dia, o que todo brasileiro sempre sonhou em ser.

 

Forte abraço, PMA

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